Por: Editor Aconteceu | 10/01/2017

Reportagem de Kamila Schneider para o jornal O Correio do Povo.

O ano mal começou e os pais já preparam o bolso – e a disposição – para as compras de materiais escolares. Com o aumento da carga tributária sobre alguns produtos, os itens da lista escolar devem ficar até 10% mais caros este ano, segundo estimativa da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae). Em alguns lugares, entretanto, a alta nos preços atingiu patamares ainda maiores: São Paulo, por exemplo, teve aumento médio de quase 13%, o dobro da inflação acumulada entre dezembro de 2015 e novembro de 2016 (7%).

Em Santa Catarina ainda não existem estudos que mostre qual deve ser o impacto no bolso do consumidor, mas já é possível notar alguns itens mais caros nas prateleiras. É o caso dos cadernos, que este ano estão entre os vilões do orçamento – com o encarecimento de 22% no preço do papel, o valor dos cadernos, fichários e agendas deve ficar em média 15% mais alto. Prova disso é que em Jaraguá do Sul um caderno de dez matérias chega a custar R$ 38, dependendo da marca.

Além disso, os impostos sobre alguns produtos também ajudam a impulsionar os preços. Segundo uma pesquisa da consultoria BDO, divulgada na semana passada, em alguns itens o valor dos impostos ultrapassa os 60%. É o caso da régua, em que 62,34% do custo do produto são impostos. O percentual também surpreende em itens como a caneta (57,84%), a agenda escolar (54,8%) e o fichário (52,90%).

Na busca pelos melhores preços, o jaraguaense Ivonei Roberto Krause, de 39 anos, decidiu adiantar a compra do material escolar da filha Hadmila, de 10 anos. Na manhã de ontem (9), os dois aproveitaram a brecha na rotina para escolher os itens com calma em uma papelaria no centro da cidade. Segundo Ivonei, é preciso planejar os gastos com antecedência para que não haja nenhuma surpresa no orçamento familiar.

“Deu pra ver que teve um aumento, é algo que pesa nas contas. As listas são grandes, em alguns casos acho que as escolas poderiam pedir menos coisas, como as folhas sulfite, por exemplo, 400 folhas por aluno é bastante”, opina o pai. Para garantir o melhor preço possível, Ivonei sempre opta por pagar os materiais à vista, o que, segundo ele, pode render bons descontos. “É a melhor opção”, aconselha.

Lista custa em média R$ 120 reais para alunos da rede pública

Fato é que, este ano, os pais precisarão desembolsar em média R$ 120 para adquirir os itens básicos da lista de materiais da rede pública. Segundo pesquisa realizada pela equipe do OCP em uma papelaria do centro da cidade, a lista de material para alunos de 5º ano saiu por R$ 124,70, caso os pais optem por comprar apenas os itens mais baratos.

Entre os produtos que mais pesam no total estão o estojo (R$ 21,90), o bloco de 20 folhas A3 (R$ 9,50) e a caixa de lápis de cor grande (R$ 9,90). Os cadernos também ajudam a impulsionar o valor: cinco cadernos grandes de 96 folhas totalizam R$ 26 (R$ 5,20 por unidade). No caso das escolas particulares, a lista pode chegar a custar quase o dobro, R$ 230, segundo as informações repassadas pela equipe de vendas da loja.

Os pais que desejam incluir uma mochila na lista dos filhos terão que desembolsar pelo menos mais R$ 59,90, no caso dos modelos infantis, e R$ 81,90, se o modelo em questão for juvenil. Caso a criança insista em ganhar uma mochila de marca ou com algum personagem licenciado, é melhor preparar o bolso: dependendo do modelo, o preço destes itens pode ultrapassar os R$ 270.

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Reduzindo os custos:

Confira algumas dicas para economizar nas compras de material escolar:
1. Invista na pesquisa de preço. Alguns itens costumam ter muita variação de preços no mercado – há casos em que a diferença pode chegar a 500%.
2. Reaproveite materiais antigos. Alguns itens como mochila, estojo e régua tem vida útil mais longa, o que possibilita a reutilização. Uma boa dica é convidar os filhos para brincarem de “caçar” o material escolar em boas condições.
3. Fique atento à lista de materiais. Limite-se aos itens que a escola considera necessários, assim é mais fácil evitar compras por impulso.
4. Compre com antecedência. Quanto mais perto do início das aulas, maiores as chances de pagar mais caro ou de os itens mais em conta já terem esgotado.
5. Fuja das marcas e dos personagens, já que os produtos licenciados costumam ser muito mais caros. Caso a criança esteja junto na hora da compra, a dica é propor um troca: se a criança escolher materiais mais simples, ela poderá ganhar um presente que deseja no futuro, quando as contas estiverem menos apertadas.
6. Aposte na compra dividida. Muitas lojas oferecem descontos atrativos para quem compra em grandes quantidades. Portanto, vale a pena tentar reunir amigos ou familiares para efetuar as compras de uma só vez.
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Impostos mais pesados
Saiba qual é o valor do imposto sobre os principais produtos da lista escolar:
Régua: 62,34%
Caneta: 57,84%
Agenda escolar: 54,83%
Fichário: 52,90%
Mochila: 49,31%
Papel sulfite: 38,64%
Caderno: 37,39%
Lápis: 27,25%
Cola branca lavável: 27,25%
Fonte: BDO Brasil
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